Ó tu, amada dos meus vinte e sete sentidos, eu lhe amo! – Tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim. – Nós?
Isso (aliás) não vem ao caso.
Quem és tu, dona inumerável? Tu és – és? – Dizem que serias – deixa que digam, eles nem sabem como a torre da igreja se sustém.
O chapéu sobre os pés, caminhas sobre as mãos, com as mãos tu caminhas.
Olá, teus vestidos vermelhos, serrados em pregas brancas.
Eu amo Anna Flor vermelho, vermelho eu lhe amo! – tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim. – Nós?
Isso (aliás) é coisa para a brisa fria.
Flor vermelha, vermelha Anna Flor, o que andam dizendo?
Responda e ganhe: 1. Anna Flor tem um macaco no sótão.
2. Anna Flor é vermelha.
3. Qual é a cor do macaco?
Azul é a cor do teu cabelo amarelo.
Vermelho é o chiado do teu macaco verde.
Tu, moça simples de vestido de chita, tu, doce bicho verde, eu lhe amo! – tu teu te a ti, eu a ti, tu a mim. – Nós?
Isso (aliás) é coisa para o braseiro.
Anna Flor! Anna, a-n-n-a, gotejo o teu nome.
Teu nome pinga como tenra gordura bovina.
Sabes, Anna? Já o sabes?
Posso ler-te também de trás para frente, e tu, a mais formosa de todas, serás sempre, de trás para frente e de frente para trás:>>a-n-n-a<<.
Gordura bovina goteja acaricia minhas costas.
Anna Flor, tu, bicho gotejante, eu lhe amo!
Poema Merz
(c. 1919)
